CITAÇÕES DE LÍDERES


Podem Existir Opiniões Diferentes Entre Os Líderes da Igreja?

Uma das mais comuns formas de ataques à Igreja, feita pelos críticos é a de pesquisar citações anteriormente proferidas ou escritas por antigos líderes da Igreja e, em seguida compará-las com outras citações mais atuais, feitas por outros líderes desta.

Com muito silogismo, empregam toda forma de interpretações dúbias e arbitrárias para lançarem dúvidas sobre a veracidade da Igreja. O que aqueles não sabem ou propositadamente nunca procuraram saber, devido a opção que fizeram de hostilizar a fé Mórmon é a distinção entre o que alguma autoridade da Igreja diz ou pensa sobre determinados assuntos e, aquilo ser ou tornar-se uma doutrina oficial desta.

As doutrinas oficiais da Igreja são reveladas e apoiadas por todos os membros em suas conferências, como recebidas do Senhor para orientar e conduzir os membros nesta dispensação. As doutrinas oficiais de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estão escritas na Bíblia, no Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor que constituem-se nas quatro obras padrões para qualquer assunto.

Ninguém, seja mesmo um apóstolo ou alguma autoridade da Igreja, que explane sobre algum assunto que não tenha sido revelado, terá crédito entre os membros. Por outro lado, todos são livres para expressarem seus pontos de vistas e conclusões sobre qualquer estudo particular das escrituras. Podem até colaborar para aclarar algum ponto doutrinário, mas não têm força para colocar aquele estudo ou assunto como doutrina oficial e aceita pela Igreja.

Entretanto, a insidiosa tática dos críticos nesse ponto, é exatamente tentar fazer com que as declarações, estudos ou posições de eminentes líderes da Igreja, sejam entendidas como se fossem a posição oficial desta, em determinados assuntos. E assim, fraudulosamente, destacam algumas citações daqueles líderes e, tomando como base as suas críticas e idéias preconcebidas de ataques à Igreja, tentam demonstrar possíveis contradições ou erros, entre o que aqueles líderes disseram ou escreveram e, o que a Igreja oficialmente aceita como doutrina. É óbvio, que nesse distorcido e bem elaborado jogo de palavras, conseguem algum relativo e efêmero sucesso - pelo menos, até a verdade chegar.

A Controvérsia entre Paulo e Pedro

As chamadas “divergências” de opiniões ou pontos de vistas entre as autoridades da Igreja de Cristo, é tão antiga e natural, quanto a foi no tempo do Salvador. É do conhecimento de todos que lêem a Bíblia a controvérsia existente por exemplo, entre Paulo e Pedro, acerca da doutrina da circuncisão dos gentios. Isto foi um assunto tão controverso naquela época, que foi necessário organizar uma conferência em Jerusalém para definir aquela situação.

Encontramos isto amplamente debatido no capítulo 15 do livro Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento. Os cristãos de origem judia, tinham na circuncisão o “selo” da aprovação e reconhecimento como povo distinto e separado de Deus: “Disse mais Deus a Abraão: Ora, quanto a ti, guardarás o meu pacto, tu e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. Este é o meu pacto, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: todo varão dentre vós será circundado. Circuncidar-vos-eis na carne do prepúcio; e isto será por sinal de pacto entre mim e vós” (Gen. 17:9-12; grifos nossos).

O apóstolo Paulo, que fora designado a pregar entre os gentios, ensinava não ser necessária a circuncisão. Pedro, que ficara entre os judeus, por sua vez, demorou a aceitar pessoalmente o fato de que os gentios (não-judeus) tornassem-se cristãos sem a circuncisão. É interessante observar que nenhuma revelação ou doutrina tinha sido elaborada sobre esse assunto, até então. Como nenhuma revelação houvera sido dada, cada um dos líderes da Igreja naquela época e, isso incluía Pedro e Paulo, tinham opiniões diferentes sobre esse e alguns outros assuntos.

Escrevendo aos Gálatas, Paulo foi veementemente contrário a Pedro e até o constringiu, conforme a escritura relata: “Quando, porém, Cefas (Pedro) veio a Antióquia, resisti-lhe na cara, porque era repreensível” (Gál. 2:11). Apesar de Pedro ensinar uma coisa e Paulo outra, sobre o assunto da circuncisão, os dois eram reconhecidamente apóstolos de Cristo em todas as Igrejas cristãs daquela época. Cada um deles, tinha uma opinião bem pessoal sobre a necessidade ou não da circuncisão, para tornar-se um cristão. Porém, a condição de ser circunciso ou incircunciso para ser membro da igreja, à época dos primeiros apóstolos, não era doutrina oficial desta. Como se deduz, existiram portanto, num determinado tempo, na igreja primitiva, cristãos circuncisos e incircuncisos.

Até certas doutrinas serem reveladas ou confirmadas, os apóstolos podiam ter suas próprias opiniões acerca de específicos assuntos.

Vejamos, um outro exemplo de Pedro. Este, não comia certos alimentos por acreditar serem proibidos, segundo as leis de Moisés. “Mas Pedro respondeu: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. Pela segunda vez lhe falou a voz: Não chames tu comum ao que Deus purificou. Sucedeu isto por três vezes; e logo foi o objeto recolhido ao céu ...Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo” (Atos 10:14-16, 34-35).

Até então, a Igreja não tinha uma posição oficial sobre aquele assunto. Pedro, portanto, até receber a revelação quanto ao assunto, não comia nenhuma carne que era considerada imunda, segundo as leis judias (Lev. 11). E assim, como Pedro existiam diversos cristãos que faziam o mesmo e, outros que certamente não o faziam, sem entretanto, terem prejuízo em sua condição de membros da Igreja de Cristo.

Se pudéssemos voltar no tempo e, falar com Pedro, antes da revelação que teve e, perguntássemos se podíamos comer determinado animal, que segundo a lei judia era proibido, o que você acha que Pedro responderia? Certamente, diria que não comêssemos: "De modo nenhum... porque nunca comi coisa alguma comum e imunda..."

Porém, se fizéssemos a mesma pergunta, neste mesmo tempo, a Paulo, que estava entre os gentios, este certamente diria que podíamos.Talvez, até usasse as mesmas palavras proferidas à Igreja, em Roma, quando disse: “Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes. Quem come não despreze a quem não come; e quem não come não julgue a quem come; pois Deus o acolheu... e quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus” (Rom. 14: 2-3,6).

Essas divergentes opiniões ocorriam, porque não houvera sido ainda revelada a verdade sobre esse assunto. E não apenas estes, mas existiam algumas outras doutrinas, que eram motivos de “diferentes opiniões” e, até que fossem e reveladas e esclarecidas pelo Senhor, conviviam entre a comunidade cristã. Porém, isso de forma alguma tirou a unidade, a autenticidade ou o teor sagrado da Igreja de Cristo.

Eu imagino que algumas pessoas que vivem hoje, se vivessem naquele tempo, certamente aproveitar-se-iam de algumas daquelas declarações de Paulo e Pedro para acusarem-nos de falsos líderes, de ensinarem doutrinas contraditórias e assim constituírem uma falsa religião.

I. B. Irineu,

(Extraído do livro A Fé Mórmon)

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