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O BATISMO PELOS MORTOS |
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Capítulo 21
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----- Original Message -----
From:
irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Monday, December 23, 2002 12:07 AM
Subject: [Apologética Aplicada] I Corintios 15:29
Prezado Pastor Airton,
Contextualizando a escritura de I
Coríntios 15:29.
Mesmo que alguns não admitam citações fora da Bíblia, é muito comum exemplificar alguma crença a partir destas, quando estas evidenciam algum suporte para a crença de quem está usando-as.
Isso ocorre com os mórmons, evangélicos, católicos e tantos outros, portanto não vejo nenhum dolo em utilizar-me desse contexto para evidenciar que esta prática não foi apenas usada na época de Paulo, mas segui-se por muito tempo dentre os primeiros cristãos e até hoje é praticada pelos Cristãos Mandeus que têm sua descendência religiosa traçada até os discípulos de João Batista.
Tal prática é citada também nos apócrifos Pastor de Hermas e Evangelho de Nicodemos. Era prática comum entre os Cristãos Cerintianos e Marcionitas do segundo século. Era comum na Igreja cristã Copta (Egípcia) até o século V, quando foi suprimida pela Igreja de Roma.
Os testemunhos dos relatos do Concilio de
Cartago(397 A.D) deixa claro que os cristãos da época praticavam o
batismo vicário pelos mortos, porque no cânon sexto daquele concilio, a
igreja dominante proibia qualquer futura administração do batismo pelos
mortos.
O princípio
envolvido na crença e na prática do batismo pelos mortos não
é hoje advogado apenas pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos
Últimos Dias, a única dentre as igrejas cristãs, no
ocidente, a praticar o batismo por aqueles que morreram sem conhecer a
Cristo
Alguns pregadores compreenderam a
necessidade do principio de salvação
para os mortos para satisfazer a justiça de Deus.
A Sra. Pearl S. Buck (notável
escritora presbiteriana), autora de “A Boa Terra” e “Filhos”,
dentre muitos outros livros, foi julgada pela Igreja Presbiteriana
porque discordou de sua doutrina de que as nações pagãs seriam
condenadas, a menos que aceitassem o evangelho cristão.
A Sra. Pearl S. Buck, que se valeu de sua experiência como missionária presbiteriana na China para escrever duas novelas das mais vendidas, enfrentou a excomunhão como resultado de recentes escritos que divergem das doutrinas fundamentais da Igreja, conforme revelado numa reunião do presbitério de New Brunswick, New Jersey, EUA.
John Frederick Denison Maurice,
professor de Teologia no Kings College de Londres, foi demitido de sua
cátedra por causa de sua teologia considerada heterodoxa com respeito à
punição eterna, publicada em 1853 em seus Tratados Teológicos, (Veja
Encyclopedia Britânica, 11 edição, vol. 17, p. 910.). Ele ensinou que as
revelações do amor de Deus para conosco, encontradas no evangelho, não
são compatíveis com sua permissão de que qualquer das criaturas que ele
tenha amado seja destinada a um tormento sem fim.
No leito de morte, em 1872, um de
seus companheiros de ministério deu-lhe a triste noticia de que não mais
pregaria o evangelho. Diz-se que ele reuniu todas as suas energias e,
erguendo-se na cama, declarou: “Se não mais puder pregar o evangelho
aqui, eu o pregarei em outros mundos.”
Henry Ward Beecher, um influente clérigo americano (1813-1887), proferindo uma palestra em Nashville, Tennessee, sobre "O que o cristianismo tem feito para civilizar o mundo", disse:
“Que tem a África feito pelo
mundo? Ela nunca produziu um sábio, um filósofo, um poeta, nem um
profeta, e por que não? Porque o nome de Cristo e a influência do
cristianismo são pouco conhecidos em suas obscuras regiões. Milhões de
seus filhos viveram e morreram sem ouvir a verdade. Que será deles?
Serão condenados para sempre? Não, não se meu Deus reinar,
pois eles ouvirão o evangelho no mundo espiritual.”
O professor A. Hinderkoper,
escritor alemão diz: “Nos séculos dois e três, cada ramo e divisão da
Igreja Cristã, até onde seus registros permitem julgar,
acreditava que Cristo pregou aos espíritos que se
foram.” (Ben E. Rich, Scrapbook of Mormon
Literature, 1910, pp. 321-322.)
Também reproduzo a citação do famoso comentarista Dr. Adam Clark (muito utilizado pelos escritores evangélicos) ao comentar “De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?".
Diz Clark (os grifos são meus): “Este, certamente, é o versículo mais difícil do Novo Testamento, pois, não obstante, o empenho de grandes e sábios homens para explicá-lo, existem hoje em dia, quase tantas interpretações diversas quantos são os intérpretes. Contudo, apesar de seu sentido enigmático, esta passagem da Escritura faz parte do serviço funerário prescrito na Igreja Episcopal e é devidamente falada pelo sacerdote em todo funeral.
Mas, onde está a dificuldade de compreensão? Seu sentido é evidente e óbvio, e somente quando tentamos considerá-la em sentido figurativo é que surgem as dificuldades. Está claro que nos dias de Paulo a ordenança do batismo pelos mortos era tanto compreendida como praticada, e o argumento do apóstolo em apoio à doutrina de uma ressurreição literal é perfeita: Se os mortos absolutamente não ressuscitam, por que então se batizam pelos mortos?" A citação de Paulo é muito clara: "De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?"
Lendo o contexto do capítulo 15 de I Corintios percebe-se que Paulo está defendendo a doutrina da ressurreição e usa essa prática (ou ordenança) cristã para reforçar seu argumento.
Quanto a questão do "eles" (isto é, de Paulo não usar "nós" na referência à prática), esse texto no grego original encontra-se na voz passiva, e não na ativa, ficando assim fácil entender o que Paulo está dizendo.
No grego é: "Por que batizam-se então pelos Mortos", ao invés de "Por que se batizam eles então pelos Mortos"
Ou seja, na primeira frase (como está no original grego) o sujeito é indeterminado (pode ser eu, nós, vós, paranaenses, paulistas, mineiros, qualquer um), enquanto na segunda (como foi traduzida) o sujeito é determinado "eles" (Os Coríntios). Evidencia-se que os Cristãos primitivos o praticavam.
Outro ponto a ser considerado é que a preposição grega Hyper com um genitivo significa “em lugar de” ou “em favor de” como da mesma forma está em ITess. 5:10: “que morreu por nós” e também em ICor. 15:3: “...que Cristo morreu por nossos pecados...”. Ou seja, "em nosso favor", "em nosso lugar", da mesma forma que Paulo expressa aos irmãos de Corinto na passagem de 1Cor. 15:29.
O Dr.
S. Parkes Cadman, famoso pregador radialista e ex-presidente do
Conselho Federado das lgrejas da América,
discutiu a seguinte questão pelo rádio para milhões de ouvintes:
Mesmo hoje, existem multidões nas terras cristãs que, por causa das circunstâncias de seu nascimento e criação, são quase tão ignorantes da fé no Novo Testamento como o foram os antigos gregos que nunca ouviram falar de Cristo. Imagine-se também as hostes de crianças inocentes que morreram antes de chegar à consciente responsabilidade de sua própria vida. Mesmo quando compreendida vagamente, sua pergunta seria insuportavelmente opressiva se ninguém, com exceção dos que inteligente e voluntariamente acreditaram em Cristo, fosse admitido no futuro à Presença Divina" .
Ele prossegue dizendo:
"Se, como somos
ensinados a crer, as incalculáveis miríades de seres humanos que
ocuparam, ou ocupam agora esta vida, existem para a eternidade e devem
passá-la em algum lugar, como podemos limitar a eficácia redentora do
amor divino à breve passagem da existência mortal do homem?
(Millennial Star, vol. 98, 13 de agosto de 1936, p. 514.)
O batismo em favor dos mortos é
uma doutrina cristã que reflete a divina singularidade da convivência
pacífica entre a lei da misericórdia e da justiça onde ambas são
plenamente satisfeita mantendo nosso Pai Celestial como nosso Deus
também em sabedoria e perfeição.
Fraternalmente,
Irineu
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