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FÉ, GRAÇA E OBRAS |
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Fé, Graça e Obras: A Bíblia e a Doutrina dos Santos dos Últimos Dias
Quando se compartilham as opiniões com outros cristãos que não são Santos dos Últimos Dias, eles acusam-nos de acreditarmos que nós só alcançaremos o Céu guardando os mandamentos, através das nossas obras, e não através da Graça de Cristo. Até aqueles que sabem que seguimos Cristo e reverenciamos e guardamos a Sua Palavra, algumas vezes nos acusam que não somos cristãos porque dizem que acreditamos num Cristo diferente daquele que está na Bíblia, ou que nós pensamos que somos salvos pelas nossas obras e nos tornaremos deuses.
Se eu disser que “nós acreditamos que através da Expiação de Cristo, toda a humanidade pode ser salva, obedecendo às leis e ordenanças do Evangelho”, (muito semelhante à nossa 3ª Regra de Fé), muitos ficam duvidando se os Mórmons podem ser considerados cristãos, se eles crêem que é necessário obedecer aos mandamentos para ser salvo.
A Expiação e a Graça de Cristo, que nos é oferecida, são as coisas mais importantes que podemos alguma vez aspirar conhecer. É o cerne, o fulcro do Evangelho, da nossa religião, e deve ser também o fulcro das nossas vidas. Nós devemos igualmente saber como Ele nos oferece a riqueza da Sua Graça, e o que TEMOS DE FAZER para aceitar e participar dessa Graça.
A minha intenção é usar as escrituras para clarificar a relação entre Graça, Obras e Salvação. Eu pretendo mostrar que os ensinamentos da Bíblia concordam precisamente com os ensinamentos do Livro de Mórmon, e com as doutrinas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Eu referirei as duas maiores e errôneas interpretações que guiaram a muita confusão.
A primeira delas é que em ignorância tem sido ensinada por alguns bem intencionados Santos dos Últimos Dias, que nós ganhamos o Caminho do Céu guardando os mandamentos. Isto é absolutamente falso, e espero que esta doutrina e fraseologia nunca seja ouvida dos nossos lábios. Como veremos em seguida, isto é completamente inconsistente com as escrituras e com tudo o que foi ensinado pela Igreja.
Sem a Graça de Cristo, nada do que fizemos nesta vida terá algum valor eterno. Toda a obediência do mundo não chega para limpar um pecado sequer, ou vencer a morte – somente a Graça de Cristo nos dá essa esperança.
A segunda é que se tornou surpreendentemente comum entre as Igrejas cristãs que somos salvos pela Graça, sem nenhum esforço da nossa parte, uma vez salvos nós temos a salvação garantida sem a necessidade de guardar os mandamentos de Cristo. A frase “guarda os mandamentos”, motiva os nossos esforços para obedecer e seguir Cristo, mas não que temos de cumprir perfeitamente os mandamentos, porque ninguém consegue fazer isso. Cristo pede-nos para O seguirmos de todo o coração, e nós fazemos isso, esforçando-nos por obedecer e honrá-Lo. As nossas fraquezas e falhas nesse intento de procurar sermos perfeitos são compensados pela Sua Graça, pois a Sua Graça é suficiente para cobrir essas falhas e imperfeições se nós verdadeiramente procurarmos aceitá-Lo.
Muitos dos ensinamentos populares sobre a Graça e Obras originam-se no ensinamento de Lutero sobre a justificação somente pela Fé, a idéia que nada do que podemos fazer – para além de acreditarmos – pode ter algum impacto na nossa relação eterna com Cristo. Por agora, deixem-me mostrar porque não acreditamos que “Salvação somente pela Fé” não é uma doutrina bíblica.
Existe uma passagem, Tiago 2:24, que explica literalmente que somente a Fé NÃO é suficiente para obtermos a Salvação: “Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé.”
Este é um ensinamento da Bíblia, e não podemos negá-lo: Salvação somente pela Fé, direta e explicitamente contradiz esta passagem, e o Novo Testamento, que diz precisamente o contrário: “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.” (Tiago 2:17)
A verdade é que nós somos salvos pela Graça de Cristo, que nos é oferecida através de um convênio: se aceitamos Cristo e fizermos a nossa parte, seguindo-O e obedecendo-Lhe, então Cristo fará todo o resto, perdoando-nos, limpando-nos, curando-nos, e dando-nos o poder de voltar à presença do Pai – não por o termos ganho, mas porque aceitamos os termos pelos quais Ele oferece a Sua Infinita Graça e Misericórdia.
Mesmo nos dias de Moisés, em Deut. 5:10, lemos que o Senhor proclamou que Deus “usa de misericórdia com milhares dos que O amam e guardam os Seus mandamentos.” Um princípio que não pode ser mudado. A misericórdia da Graça oferecida através desse convênio com Cristo, está implícita na nossa 3ª Regra de Fé, e também nos ensinamentos do Profeta Néfi, que escreveu em 2Néfi 25:23:“Pois trabalhamos diligentemente para escrever, a fim de persuadir nossos filhos e também nossos irmãos a acreditarem em Cristo e a reconciliarem-se com Deus; pois sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer.”
Samuel, o Lamanita, um Profeta anterior ao nascimento de Cristo, disse: “E se acreditardes em Seu nome, arrepender-vos-eis de todos os pecados, para que, desse modo, alcanceis a remissão dos pecados por meio dos seus méritos” (Helamã 14:13)
Morôni tem uma passagem semelhante em Morôni 10:32: “Sim, vinde a Cristo, sede aperfeiçoados nele e negai-vos a toda a iniquidade; e se vos negardes a toda a iniquidade e amardes a Deus com todo o vosso poder, mente e força, então sua graça vos será suficiente; e por sua graça podeis ser perfeitos em Cristo, não podereis, de modo algum, negar o poder de Deus”.
Em Alma 12:33-34: “Deus, porém, chamou os homens em nome de seu Filho (sendo este o plano de redenção que foi estabelecido), dizendo: Se vos arrependerdes e não endurecerdes o coração, então terei misericórdia de vós por intermédio de meu Filho Unigênito. Portanto, todo aquele que se arrepender e não endurecer o coração terá direito à misericórdia, por intermédio de meu Filho Unigênito, para a remissão de seus pecados; e esses entrarão no meu descanso.”
Misericórdia e perdão de Deus é uma dádiva, mas nós temos de conhecer as condições que Deus nos deu para recebermos essa dádiva.
Nós temos de nos arrepender e humildemente seguir Cristo. Outro profeta do Livro de Mórmon, Leí, explicou a natureza da graça e misericórdia num dos mais poderosos e profundos capítulos de toda a escritura, 2 Néfi, capítulo 2, versículos 5 a 8: “... e pela lei nenhuma carne é justificada... portanto a redenção nos vem por intermédio do Santo Messias; porque Ele é cheio de graça e verdade. Eis que Ele se oferece em sacrifício pelo pecado, cumprindo, assim, todos os requisitos da lei para todos os quebrantados de coração e contritos de espírito; e para ninguém mais podem todos os requisitos da lei ser cumpridos. ...nenhuma carne pode habitar na presença de Deus a menos que seja por meio dos méritos e misericórdia e graça do Santo Messias, que dá a sua vida, segundo a carne, e toma-a novamente pelo poder do Espírito...”
Então, seguindo o brilhante e inspirado discurso acerca das relações entre oposição, interferência e Queda do Homem – um discurso que resolve muitos dos puzzles filosóficos que têm embaraçado filósofos e teólogos durante séculos, Leí mostra como a Expiação de Cristo nos oferece a verdadeira liberdade, para escolher entre as grandes opostas e eternas vida e morte. Começando no versículo 28, ele conclui encorajando os seus filhos e a nós a escolher Cristo:“E agora, meus filhos, gostaria que confiásseis no grande Mediador e désseis ouvidos a seus grandes mandamentos; e que fôsseis fiéis a suas palavras e escolhêsseis a vida eterna...”
Mais passagens existem, no Livro de Mórmon, que testificam igualmente esta doutrina que é clara, poderosa e bela.
Alguns ensinam que não precisamos mesmo esforçar-nos para obedecer aos mandamentos de Deus, por serem certos os nossos chamados e eleições! Alguns distorcem e deformam a Palavra de Deus e ensinam a questionável doutrina: “uma vez salvo, sempre salvo”. Tranquilizam as pessoas com falsa segurança, dizendo-lhes que estão salvas e que mais nenhum esforço da sua parte é necessário. Como veremos de seguida, isto está muito longe dos ensinamentos de Cristo.
Entretanto, muitos cristãos ensinam a importância de obedecer a Deus e crescer através da diligência e obediência. E ainda melhor, o comportamento de muitos cristãos ultrapassa a teologia, pois mostram através dos seus frutos que procuram seguir Cristo com todo o seu coração e força, que desejam obedecer-Lhe e perseverar até ao fim.
Aplicação, paciência e perseverança são necessárias para garantir a Salvação:
II Pedro 1:4-10; II Pedro 3:14-18; Hebreus 12:1,7; Hebreus 10:36; Tiago 1:12; Marcos 13:13; Hebreus 6:15; Hebreus 3:14; Apocalipse 2:7,10,11; Colossenses 1:22-29; Tiago 5:7-12; 1 João 2:24-25.
Porquê? Romanos 8:16-18; Apocalipse 3:19-21; Apocalipse 21:7; Hebreus 12:9,10; Actos 17:28,29
As próprias palavras de Cristo:
Os Seus ensinamentos mostram que é requerida obediência para obter a vida eterna; não existem nas Suas Palavras a doutrina “uma vez salvo, sempre salvo”, ou salvação instantânea sem obras:
Mateus 19:16-23 (para obter vida eterna, guarda os mandamentos); ver também, Marcos 10:17-30; Lucas 18:18-30
Lucas 10:25-28 (outra vez: guarda os mandamentos para seres salvo)
Marcos 12:28-34 (Cristo ensina os dois grandes mandamentos, e diz que quem os compreender não estará longe do reino de Deus)
Lucas 11:28 (abençoados os que OUVEM E GUARDAM a Palavra de Deus)
Sermão da Montanha
Mateus capítulos 5 a 7 (sobre obras, comportamento); Mateus 5:19-21 (temos de guardar os mandamentos); Mateus 5:48 (temos de procurar ser perfeitos); Mateus 7:13,14 (a porta é estreita e o caminho apertado); Mateus 7:21-23 (temos de obedecer à vontade de Deus; cristãos que pratiquem o mal não vão para o céu); Mateus 7:24-28 (aqueles que fazem o que Cristo diz constroem sobre boa fundação); Mateus 24:13 (perseverar até o fim para ser salvo) ver também Mateus 10:22 e Marcos 13:13; Mateus 12:35-37 (seremos julgados pelas nossas obras, para a condenação ou justificação); Mateus 16:24-27 (seremos julgados pelas obras); João 8:31-32 (temos de continuar na Palavra de Cristo); Lucas 21:19 (paciência é requerida para preservarmos as nossas almas); Lucas 21:34-36 (sede cautelosos, evitem pecar para serem dignos de estar diante de Deus); Marcos 11:25-26 (temos de perdoar os outros para sermos perdoados); João 5:28,29 (os que fazem o bem obtêm vida); João 14:15,21,23 (Cristo ensina a guardarmos os mandamentos); João 15:1-4 (temos de dar frutos, guardar os mandamentos); Mateus 13:3-23 (parábola do semeador... não basta acreditar); Mateus 12:50 (temos de fazer a Sua vontade, para termos uma relação estreita com Cristo); Mateus 13:40-43 (aqueles que praticam o mal serão condenados); João 12:50 (Os mandamentos do Pai são vida eterna); Ver também Lucas 21:19,34-36; Mateus 25 (esp. 31-46); João 3:5
Julgados pelas obras
Romanos 2:4-11; Apocalipse 20:12-15; Mateus 16:27; Gal. 6:7-9; Apoc. 22:12-14; 2 Cor. 5:9,10; Col. 3:24-25; João 5:28,29; Eclesiastes 12:13,14; 1 Pedro 1:17; Salmos 62:12; Prov. 24:12; Apoc.. 2:23; 1 Pedro 4:17-19
Arrependimento e obediência são requeridos para a Salvação
Actos 2:37-38; Mateus 4:17; Actos 17:30,31; 2 Pedro 3:9; 2 Cor. 7:9-11; Ezequiel 18:4,5,9,20-27,30-32; Ezequiel 33:11-20; Actos 26:20; Marcos 6:12; Lucas 24:47; Heb. 5:8,9; Rom. 2: 4-11; Prov. 4:4; Prov. 19:16; Deut. 6:17; Ecl. 12:13,14; Mateus 4:4; Deut. 8:3; 1 Sam. 15:22; Jerem. 7:23; 2 Cor. 10:5,6; Êxo. 19:5; Deut. 29:9-15; João 7:17; Rom. 6:16; Tiago 4:6-10; 2 Tess. 1:4-9; 1 Pedro 1:14-16; Mateus. 5:48; Lev. 11:45; Lev. 19:2; Lev. 20:7,26; Mateus 5:19-20; Apoc. 3:5,19-21; Joel 2:12,13; 2 Cor. 10:5,6; 2 Cor. 7:15; Filip. 2:8.
Salvos pela Graça – mas acessamos à Graça pela obediência
Efés. 2:8; Apoc. 22:12-14; Filip. 3:12-14; Heb. 5:8,9; Êxo. 20:6; Tiago 4:6-10; Mateus 5:7; 1 Pedro 1:13-22.
Temos de fazer, não apenas acreditar
Tiago, Cap. 1 e 2; 1 João 3:18,19; Mateus 7:21-27; Mateus 25:31-46; 2 Cor. 5:9,10; Tito 2; 1 Pedro 1:22; Mateus 12:50; 1 Tim. 6:17-19.
Cristãos podem cair da Graça, por isso sede cautelosos
Heb. 12:15; 1 Cor. 10:12; 2 Ped. 1:4-10; Heb. 3: 12-14; Heb. 4:1,11; Mateus 7:21-23; Lucas 21:34-36; Fil. 2:12; Gal. 5:4; Heb. 6:4-6; Heb. 10:26-31; 2 Cor. 6:1; Judas 1:3-13; Col. 1:23; Tiago 5:12,19,20.
Pecado podem afastar-nos do Céu
1 Cor. 6:9-10; Gal. 5:16-26; Efés. 5:3-7; 1 Tess. 4:1-7; Col. 3:5-25; Judas 1:14-25; Heb. 12:1-17; Tiago 4:4; Mateus 5:22; Mateus 25: 31-46; Ezeq. 18.
Temos de crescer e progredir através da obediência para sermos salvos: 2 Pedro 1:3-10; 1 João 2:4,5; Fil. 3:12-15.
Artigo de Jeff Lindsay,
traduzido por João Morais,
membro da Igreja em Sintra, Portugal