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O LIVRO DE MÓRMON |
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Deus não Proíbe a Continuidade da Revelação
de Suas Palavras, Conforme a Bíblia Mesmo Ensina
O Livro de Mórmon, juntamente com a Bíblia faz parte das obras padrões ou do cânon de escrituras de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e constitui-se em uma das principais razões pelas quais as outras igrejas, excluem-na de ser denominada cristã. Afirmam aquelas, que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias “acresceu” novos livros ao chamado cânon cristão ou Bíblia cristã, referindo-se ao Livro de Mórmon.
Um dos principais argumentos, muito exaustivo e repetidamente usados pelos críticos é baseado na escritura: “Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro” (Apoc. 22:18-19).
Vários livros que criticam a Igreja, invariavelmente citam essa escritura. Eles afirmam, que esta passagem literalmente significa que nenhuma nova escritura pode ser adicionada à Bíblia. Exibem-na como uma escritura irrefutável para sustentar a doutrina que nada pode ser mais acrescido ao cânon sagrado. É raro encontrar uma publicação, conferência ou qualquer outra exposição pública contra a Igreja, que não usem Apoc. 22:18-19. “A Bíblia é a revelação divina, completa e perfeita. Nada se pode acrescentar a ela, nem dela nada pode subtrair-se, sem incorrer na maldição divina” (Amilton Justus, Vinte razões porque não sou Mórmon, p.18).
O leitor da Bíblia entretanto, com mais conhecimento, sabe que apesar do livro de Apocalipse ser colocado no final da Bíblia, conforme foi compilada, este não foi o último cronologicamente escrito. Muitos estudiosos (inclusive não-membros da Igreja) são unânimes em afirmar que na mesma época ou até alguns anos depois foram ainda escritos 8 livros, a saber: Thiago, I e II Pedro, Judas, as 3 epístolas e o evangelho do próprio apóstolo João.
Entretanto, mesmo que assim não fosse, o texto contido em Apoc. 22:18-19 refere-se em pelo menos quatro razões claramente ao próprio livro de Apocalipse e não à Bíblia inteira:
1a. - Quando João escreveu o Apocalipse não existia a Bíblia com nós a conhecemos hoje, um conjunto de livros, que só foram reunidos muitos séculos depois.
2a. - Por vários séculos após o início da era cristã, diversos livros individuais ou agrupados com alguns outros da Bíblia circulavam separadamente, mas não a Bíblia completa. Deduz-se claramente que somente aos poucos eram acrescidos novos livros até chegarem aos que temos hoje, em nossas Bíblias
3a. - Se o entendimento dessa escritura, fosse como querem os críticos da Igreja, o sentido dado por estes deveria ser aplicado a cada novo livro canônico que surgisse nas décadas que se seguiam. Isto tornaria inválidos todos os demais livros da Bíblia que foram “somados ou acrescidos” aos já existentes.
4a. - A citação “... ouvir as palavras da profecia deste livro...”, e “...e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia...” não estava referindo-se à coleção de livros chamada Bíblia - já que esta nem existia como a conhecemos hoje - mas, unicamente ao livro de Apocalipse, ou seja, que ninguém acrescesse ou retirasse algo deste.
A Bíblia como hoje conhecemos foi reunida a partir de diversos antigos manuscritos que por si já não eram originais, mas cópias, em grego, dos escritores do Novo Testamento. Portanto, nenhum livro do Novo Testamento contido em nossas Bíblias, foi copiado diretamente dos originais escritos por Mateus, Lucas, Paulo e demais escritores.
Tudo que temos, portanto, é cópia de cópia. Dos 362 manuscritos bíblicos (incluindo o Novo e o Velho Testamentos) conhecidos até o séc. XV D.C., somente um tinha o Novo Testamento completo e nenhum continha a Bíblia completa como a conhecemos hoje. Dos 5.366 manuscritos bíblicos gregos (de onde nossas Bíblias foram copiadas) conhecidos atualmente, só 34 possuem a Bíblia inteira (menos de 1%) e todos estes só foram escritos depois do ano 1000 D.C. A Bíblia, como hoje está compilada - um conjunto de livros reunidos em um só volume - só foi possível graças a invenção da imprensa pelo alemão Gutemberg, que a imprimiu pela primeira vez, em latim, em 1455.
Se aquela escritura tivesse a aplicação geral e o entendimento distorcido como desejam alguns, tanto judeus, quanto cristãos estariam em uma situação irremediavelmente complicada.
Moisés, ainda no Velho Testamento, enfaticamente declarou: “Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os preceitos que eu vos ensino, para os observardes, a fim de que vivais, e entreis e possuais a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos dá. Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando” (Deut. 4:1-2).
Assim, se o mesmo presunçoso raciocínio aplicado para Apoc. 22:18-19 fosse usado aqui, as palavras de Moisés escritas no livro de Deuteronômio, seu último livro, fariam com que os judeus que aceitassem os escritos posteriores a Moisés, como por exemplo, Isaías, Jeremias e Ezequiel, dentre outros e, os cristãos que escreveram séculos depois o Novo Testamento ficassem em clara violação à ordem de Deus.
Mas, obviamente Moisés - assim como João - estava referindo-se à uma revelação específica, ao seu livro, o de Deuteronômio e, não a uma pretensa advertência de que novas revelações (escrituras) não pudessem ser recebidas. Como João, Moisés advertia contra alterar o que ele tinha escrito e não sobre uma restrição geral contra não poder receber novas escrituras adicionais da parte de Deus.
Desde que a Igreja nem acresceu, nem retirou nada do Apocalipse, a referida passagem de Apoc. 22:18-19 não pode dar nenhum suporte ao objetivo de denegrir o Livro de Mórmon.
O Acréscimo dos Livros na Bíblia
Qualquer estudioso da Bíblia sabe, por exemplo, que freqüentemente o autor de I e II Crônicas copiava literalmente os textos contidos nos livros de Reis e Samuel, citando-os até palavra por palavra e ainda escolhendo o que copiaria e desejava expressar. Ele acrescia ou omitia daqueles livros mais antigos o que melhor lhe parecesse. Além disso, é evidente que o Novo Testamento cristão, também “acresceu” novas escrituras as já existentes dos judeus, ou seja ao Velho Testamento.
O evangelho de Marcos, de acordo com a maioria dos pesquisadores e estudiosos, foi o primeiro evangelho a ser escrito, antecedendo mesmo aos evangelhos de Mateus e Lucas. Disso, depreende-se que tanto Mateus quanto Lucas, utilizaram palavras e histórias daquele evangelho para basearem o seu próprio, acrescendo ou retirando normalmente, o que desejassem ou não usar.
Por exemplo, do que foi escrito no evangelho de Marcos, Mateus acrescentou (encontrado só em seu livro):
1 - A história dos reis magos
2 - A fuga para o Egito
3 - O Sermão da montanha
E retirou, por exemplo, a cura do endemonhiado de Capernaum.
Lucas que era gentio, acrescentou (encontrado só em seu livro, não em Marcos):
1 - O nascimento de João Batista
2 - A parábola do bom samaritano
3 - A parábola do filho pródigo
E, retirou as passagens que pudessem ofender os gentios, como por exemplo: “(ora, a mulher era grega, de origem siro-fenícia) e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio. Respondeu-lhes Jesus: Deixa que primeiro se fartem os filhos; porque não é bom tomar o pão dos filhos e lança-lo aos cachorrinhos” (Mc. 7:26-27). Outras passagens que mostraram os cristãos em conflito com as autoridades civis, como por exemplo, os problemas com o rei Herodes quando do nascimento de Jesus, também foram omitidas.
Mas, independente da cronologia dos evangelhos, fica evidente que cada um deles “acresceu” ou “retirou” textos e histórias, um dos outros, pois ambos escreveram seus evangelhos em anos diferentes e bastante tempo depois dos acontecimentos ali narrados.
Permeando o raciocínio amplamente utilizado contra a Igreja de não ser possível “acrescer” à palavra de Deus, concluímos que apesar do fato de todos esses “acréscimos” ou “retiradas” terem ocorrido, não tornaram Lucas, Mateus ou Marcos menos cristãos, da mesma forma que Joseph Smith não pode ser acusado de não sê-lo, pela revelação do Livro de Mórmon, já que este é também um outro testamento de nosso Salvador e Redentor Jesus Cristo.
A questão central, portanto, não são os “acréscimos” ou “retiradas” à palavra de Deus, mas se isto é ou não autorizado por Ele. Não desejo demonstrar com isso, que o Livro de Mórmon seja verdadeiro - o Espírito Santo, pode fazê-lo - mas, demonstrar claramente que os argumentos para desmerecê-lo não resistem à mesma exposição ou raciocínio quanto aos livros da Bíblia, que até onde sabemos são autênticos e inspirados.