|
ENTREVISTA COM O PRESIDENTE HINCKLEY |
![]() |
Sólido, forte, verdadeiro
O presidente mórmon sobre seu predecessor, profecia e o que está
atraindo novos conversos para a fé.
Margaret Salmon e Dean Wiand
para Newsweek, Out/2005
Gordon B.
Hinckley é o profeta atual da igreja SUD.
Como o atual profeta da Igreja SUD, Gordon B. Hinckley, 95, guia a religião
que Joseph Smith estabeleceu 175 anos atrás. Recentemente, ele conversou com
Elise Soukup e Jon Meacham, de NEWSWEEK, sobre a experiência de “revelação”,
o legado de Smith e o apelo da igreja.
- Você
sente alguma semelhança com Joseph Smith, uma vez que está mais ou menos em
seu lugar?
Sinto quase um assombro quando penso sobre Joseph Smith. O anjo apareceu a
ele em 1823 — ele disse àquele simples menino, "Seu nome será conhecido como
bom e mau entre todo o mundo". Hoje ainda não vimos o cumprimento total
disso. Mas, graças aos céus, quando temos uma Conferência geral, o que
fazemos a cada seis meses, transmitimos para nosso povo em 80 línguas
diferentes e para 167 nações. É um milagre.
- Por que você acha que o Senhor escolheu Smith? Por que ele?
Bem, em primeiro lugar, o Senhor o escolheu. Eu não sei porquê. Mas ele
tinha uma mente clara, pura, simples, que poderia ser feita de recipiente da
verdade sem nenhuma sombra de idéias ou noções pré-concebidas.
- O que você acha que é a contribuição mais significativa de Smith, não só para a igreja mas também para o mundo?
Sua maior
contribuição, eu acredito, é a definição da natureza da deidade. Ele viu o
Pai e o Filho. Ele falou com eles. Eles eram seres de substância. Tinham a
forma de um homem. E podiam se expressar e ele podia falar com eles. Uma
relação interpessoal. E algo tão cálido e reconfortante, conhecer a natureza
de Deus.
- Como a revelação vem para você — qual o processo de recebê-la?
Todo homem ou mulher digno tem o direito à revelação com respeito a seus
próprios assuntos. Mas há um [o presidente da igreja] que tem o direito à
revelação com respeito a toda a igreja. E posso dizer que não tenho dúvida
de que tenho tido experiências que sinto não foram da minha vontade ou
compreensão, mas de direção, impressões que vieram do Senhor.
- Algumas das revelações
polêmicas na história mórmon — a proibição da poligamia, a concessão do
sacerdócio aos negros —, estas revelações por seus predecessores foram
afetadas pelo mundo à sua volta?
Esse é o propósito de um profeta. Responder as perguntas da época, dos
problemas que enfrenta. Você lê o Velho Testamento e vê que esse é o caso.
- Você
poderia falar sobre intolerância e conflitos religiosos ao redor do mundo? É
uma época difícil.
Ódio, egoísmo, amargura. Não gosto disso. Somos todos filhos e filhas de
Deus e, portanto, num sentido muito literal, irmãos e irmãs. Devemos tratar
uns aos outros dessa forma.
- Joseph
Smith o Profeta parece bem diferente de Gordon B. Hinckley o Profeta.
Bem, estava lendo David McCullough outro dia. Ele fez uma afirmação muito,
muito interessante. Ele disse que George Washington, Benjamin Franklin, John
Adams e outros não viveram no passado. Viveram no seu presente. E não
tiveram todas as respostas enquanto viveram. E foi dessa maneira que
aconteceu. Joseph Smith, ele não viveu no passado, ele viveu no seu presente
e andou de acordo com ele e enfrentou aqueles problemas.
- Os
mórmons são cristãos?
Claro que somos cristãos. Ele é a própria pedra de esquina de nossa fé. Seu
nome está na nossa igreja. E este livro [o Livro de Mórmon] é um outro
testamento seu.
- A igreja tem códigos rígidos de conduta pelos quais os membros respondem. Como vocês ainda atraem tantos seguidores?
Vivemos num mundo em que os padrões mudam. A família está desmoronando. Pais falham no que deveriam fazer. E encontram nesta igreja algo que espera algo das pessoas, que tem padrões e se afirma naqueles padrões e fala de exigências e definições e assim por diante. E eles encontram uma rocha que é sólida e forte e verdadeira e não está oscilando a cada sopro do vento.
Newsweek, Inc.
Tradução de Antônio Teixeira